O que fazer quando um cliente passa mal na casa
Cuide da pessoa primeiro, guarde a amostra do alimento e registre tudo. A ordem importa: socorro, preservação do que foi servido, e só depois a conversa sobre responsabilidade.
É a situação mais séria deste guia, e a que mais se resolve errado por instinto, que manda defender a casa antes de cuidar da pessoa.
Primeiro, a pessoa
- leve para um lugar arejado e sentado
- pergunte sobre alergia e sobre remédio de uso contínuo
- chame o SAMU (192) diante de falta de ar, inchaço no rosto, desmaio ou dor forte
- não ofereça remédio, nem analgésico: pode piorar e a responsabilidade passa a ser sua
Falta de ar ou inchaço no rosto depois de comer pode ser reação alérgica grave, e isso é emergência. Não espere melhorar.
Depois, o que foi servido
Guarde uma amostra do que a pessoa comeu, refrigerada e identificada com data, horário e o nome do prato. Anote quem preparou e a que horas.
Isso protege os dois lados: se o problema não veio da comida, a amostra é o que prova. Sem ela, sobra a palavra de um contra a do outro, e a casa perde.
Registre
Nome e telefone da pessoa, horário, o que foi consumido, o que ela relatou, o que a casa fez. Papel serve. É o documento que vai importar se houver desdobramento, e ninguém lembra dos detalhes uma semana depois.
O que não fazer
Não admita culpa nem negue no calor do momento, porque você ainda não sabe. Não jogue fora o que sobrou do prato. E não ofereça dinheiro na hora: parece confissão e complica qualquer conversa posterior.
Prevenção, que é o que de fato resolve
- informar alérgenos no cardápio, principalmente leite, ovo, castanha, camarão e glúten
- perguntar sobre alergia ao anotar o pedido
- separar utensílios e bancada quando o pedido é de alérgico
- controle de temperatura e de validade, escrito e conferido
O erro é tratar como reclamação de cliente. Passar mal não é reclamação: é ocorrência de saúde, e ela pede socorro, amostra e registro — nessa ordem, e antes de qualquer conversa sobre quem tem razão.